sexta-feira, 9 de março de 2012

Quem vai para o céu



MT 6;19... Não acumulem tesouros na terra onde a traça corrói e o ladrão não rouba...  Onde estiver seu tesouro ai esta seu coração... Olhos são as candeias do corpo, se forem bons... Se a luz que há em você são trevas... Não se pode servir a Deus e a maamon”

A Bíblia é muito enfática em dividir a humanidade em dois grupos: mortos e vivos, afastados em inimizade, e os reconciliados, os amigos; réus sob condenação e os réus justificados; livres e escravos; quem é do povo e quem não é; bastardo e filho de Deus; Os que nasceram da carne e os que nasceram do Espírito.
A Bíblia é pródiga nas metáforas que usa para mostrar que a humanidade esta dividida em dois tipos de pessoas. Rebeldes e os sujeitos a autoridade...  Os que estão no mundo e os que estão no reino de Deus.
A Bíblia enxerga a humanidade dividindo-a em dois grupos distintos. Esses grupos são o que são por causa de sua forma de se relacionar com Deus. Ser de Deus ou ser contra Deus.
Dentre essas muitas metáforas; a da luz e a da escuridão, os que estão nas trevas e os que estão n luz, os cegos e os que enxergam.        
Fomos ensinados num processo pedagógico religioso que nós somos do time de Deus, nós somos os eleitos.  Catalogamos e carimbamos pessoas; um é joio e outro é trigo. Determinamos quem é salvo a partir da declaração verbal. Quem declara com sua boca que Jesus é Senhor é um dos nossos, quem entra numa Igreja evangélica e passa pelas águas é um dos nossos, imaginamos que, quem não declara ideologicamente pertença a doutrina dita evangélica, é um filho da ira, esta condenado, filho do diabo. Acreditamos que é preciso levantar a mão para aceitar Jesus. Esse passo é fabuloso, extraordinário, mas é só um passo.
Levantamos a mão, entramos na EBD, vamos para a classe de catecúmenos...
Você quer ir para o céu então aceite a Jesus como seu salvador, senão você vai para o inferno. Damos esse passo e nosso nome é escrito no Livro da Vida. Mas cresci, fui lendo a Bíblia , fui aprendendo, fui testemunhando, fui vendo.
À medida que fui mergulhando nos bastidores da religião, dos que se dizem representantes de Deus, dos gestores do reino, fui percebendo que havia algum equivoco nesse pensamento de confissão declaratória.
Mergulhando na palavra percebi que esse critério foi ficando muito pequeno, a confissão verbal tem sido comumente muito superficial. O critério da confissão verbal não passa pelo crivo do Evangelho.
Identificar os moradores do céu como quem tem uma crença ideológica evangélica em determinado momento se chocou com minha compreensão, e com a realidade. Isso me chocou quando encontrei a palavra dizendo ‘senhor senhor eu preguei em seu nome... Afaste-se de mim... Nem todo aquele que me diz senhor senhor entrara no reino dos céus, mas apenas aqueles que fazem a vontade de meu pai que esta no céu’... Abri um baú e joguei esse versículo no baú... E assim fui fazendo com vários outros textos que revelavam uma realidade dissonante do espírito de meu aprendizado.
‘Vende tudo da aos pobres e segue-me’... No baú.
‘Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste’... No baú. Esse texto é o mais complicado de todos. As nações que estão sendo recebidas no Reino perguntarão ‘quando, como?’, mesmo sem saber estavam servindo a Cristo. Eles não tinham a confissão, mas estavam entrando no Reino. Grande foi minha razão para jogar esse texto no baú. Ele era uma agressão a meu proselitismo, a minha política religiosa expansionista.

A fala do Evangelho não combina com o que eu aprendi na minha classe de catecúmeno. Prefiro ficar com Paulo que diz ‘creia no senhor Jesus e serás salvo tu e sua casa’, melhor ficar com Paulo, ‘sou salvo pela graça e não pelas obras’.  Achamos que acreditar é igual a ter fé. Mais fácil ficar com Paulo que diz ,‘ se com seu coração creres e confessares com sua boca que Jesus é senhor então sereis salvos’. Isso é muito mais fácil do que aceitar que Jesus irá admitir em seu Reino povos e nações que faziam a Sua vontade sem nunca, talvez, ter ouvido falar Dele, ou ter feito uma confissão verbal e ideológica.  
Paulo sem Cristo é uma fuga pelo viés literalista, ao olharmos para Paulo devemos procurar o Cristo que vive em Paulo.
Na passagem vemos multidões que faziam a vontade Cristo sem saber que o Bem que praticavam os credenciariam à bem aventurança celestial; ‘Quando fiz isso senhor, de que forma, como assim, eu nunca nem ouvi falar de seu nome, ninguém nunca me disse que tu tinhas essas necessidades...”
Coloco no baú o texto de Paulo, ‘não sou mais eu que vivo’... ‘Se tenho do que me gloriar me gloriarei na cruz’...
È preciso fazer uma leitura exegética falseada para sustentar a ideologia dominante, pois essa palavra de Paulo desestabiliza os impérios de dominação xenofóbica; ‘ Para Deus não tem valor nem a circuncisão e nem a incircuncisão’, ou seja, nem batista nem não batista, nem cristão nem não cristão... Baú para esse texto.
Ninguém pode servir a dois senhores, pois amaras a um e odiaras a outro’... Para o baú!

Pensamos que existem apenas quatro Evangelhos, porém podemos constatar a gêneses do que pode ser chamado de O quinto evangelho. É o conjunto de versículos que sublinhamos em nossa Bíblia; é nisso que acreditamos, o que queremos. Assim corremos o risco de perder a dimensão da totalidade da mensagem e fazer mau uso da verdade.
Abrir mão de tudo, morrer para si mesmo, autonegação... Baú.
O sermão do monte não é um sermão doutrinário, é ético... “nem todo aquele que me diz senhor senhor entrará no céu, mas o que faz a vontade...” e o que é fazer  a Sua vontade?
Dar de beber a quem tem sede, de comer a quem tem fome, visitar o preso... Isso é fazer a Sua vontade.
O que mais é a vontade soberana de Deus revelada no Evangelho?
*A vontade de Meu Pai é que vocês não mintam, Ele quer que você diga sim e seu sim seja sim; que você diga não e seu não seja não.
*Meu Pai ama seus inimigos, e quer que amemos também. Ele não quer que sejamos vingativos. Antes era o ‘olho por olho e dente por dente’, agora é amar e fazer o bem.
*A vontade é que ao dar esmola não toquemos trombeta. Fazer anonimamente.
*A vontade é que vocês orem mais em secreto do que em público
*A vontade de meu pai e que não vivamos preocupados com o que vamos comer beber e vestir...
*A vontade Dele que é que escondamos nosso jejum.
*A vontade é que não julguemos determinando quem é joio e quem é trigo.
Jesus não apresenta nenhuma doutrina. Nem batismo por imersão ou aspersão; o que vem 1º a salvação ou a fé?  Nem predestinação, nem vestimentas, nem dia sagrado, nem formatação litúrgica...

A metodologia de Jesus é ver, julgar e agir. Jesus sempre se posicionava. Ele sempre tomava partido em favor do que sofria. Essa é sua vontade.
Quando Jesus fala dos olhos bons, ou mau, ele esta falando de um novo critério para se relacionar com a vida, a generosidade. Ter um olho bom significa ter compaixão, ser solidário. Daí o método hermenêutico inspirado em Jesus, ver julgar e agir. Ver, tomar decisão, identificar-se com um dos lados e agir.
Vendo as multidões ele foi tomado de intima compaixão e agiu, perdoou, curou, libertou, abençoou...  O seu coração tomou partido em solidariedade aos que sofrem e a eles se entregou.
Seus olhos são bons? Seu coração toma partido de que? Como sabemos se nossos olhos são bons?
1º se nossos tesouros estão na terra nossos olhos são maus, se estão no céu nossos olhos são bons. Sabemos que dinheiro não traz felicidade. Ouvimos dizer que matéria é tesouro da terra, dignidade, saúde, paz é tesouro da terra, isso é uma palhaçada. Jesus não define tesouros da terra e do céu ele define tesouros na terra e no céu. Onde estão seus tesouros?
Meus olhos são maus quando invejo quem tem mais do que eu, quando acredito que eu mereço mais do que o outro, quando digo que tenho o que tenho por que fiz por merecer.
Quando enxergamos carregamos o peso da responsabilidade que é o critério da generosidade. Quando enxergamos nossa pergunta aos céus é “por que eu tenho tanto e meu próximo tem tão pouco?”, “por que eu sou tão abençoado, por que eu?” Então eu passo a perguntar não como ter mais, mas como dar mais, como ajudar mais, como ser mais útil, mais solidário. Então meus tesouros, sejam lá quais forem, passam a estar no céu.
Quando os tesouros estão na terra passamos a querer mais só para aumentar nossa riqueza. Pedimos tudo ao senhor, queremos a prosperidade de Deus. Passamos a nos preocupar com o dia de amanhã, ganhamos dinheiro e bens e precisamos tomar conta, manter, o bens, a preocupação vai  nos consumindo, o medo de perder nos apavora.
NÃO É O TIPO DE TESOURO, É ONDE ESTÁ O TESOURO.
SEJA LÁ QUAL FOR O MEU TESOURO ELE PRECISA ESTA NO CÉU.
MAS QUANDO EU TENHO QUE RETER, TENHO QUE POSSUIR PARA GARANTIR O MEU FUTURO ESTA NA TERRA, AI VEM A TRAÇA, OS LADRÕES. SE PREPARE PARA GASTAR TUDO O QUE TEM  PARA PRESERVAR, PARA VIVER COM MEDO  DE  PERDER O QUE TEM, COM MEDO DO FUTURO... SERVE-SE A MAMON. Perde-se a capacidade de ver, a pessoa só se vê, ela passa a ser o centro do mundo.
Quando nossos olhos são iluminados conseguimos ver nossa própria escuridão, a escuridão da condição humana e do mundo. Então passamos a compartilhar, a dar, a viver de solidariedade e generosidade.
Quando o tesouro esta na terra ele é meu, quando está no céu e ele não nos possui, se tiver na terra se prepare para fazer de tudo para preservar o que tem, seus olhos são bons?
Quem não conhece o caráter de Deus vive preocupado com o lugar para onde vai e desconhece que já vive no céu.
Nossa pergunta não é se você vai para o céu, mas se você esta no céu.

Que o Espírito Santo converta-nos de fato ao evangelho de nosso senhor Jesus cristo.
                

Nenhum comentário:

Postar um comentário