BÍBLIA SAGRADA
O que é
Também conhecida como Cânon das Santas Escrituras. A palavra bíblia vem
do grego biblion, Livro por excelência, conjunto de livros.
Crê-se que a palavra bíblia foi aplicada às Escrituras cerca do ano 400
d.C., por Crisóstomo.
Então, a Bíblia Sagrada é o conjunto de livros escritos por homens
inspirados pelo Espírito Santo de Deus, o que a faz a própria palavra de Deus
(Êx 17:14; II Tm 3:16; Ap 1: 1,2).
Ela se divide em duas partes: O Antigo Testamento, escrito antes de
Cristo e o Novo testamento, depois da Sua morte. O Antigo Testamento consiste
em 39 livros, o Novo Testamento em 27.
A divisão da Bíblia em capítulos atribui-se ao cardeal Hugo, falecido em
1263, ou a Stephen Langton, falecido em 1228. A divisão em versículos é obra de
Robert Stevens, em 1551. A Bíblia foi o primeiro livro impresso em 1535 e é
também o livro mais traduzido; aparece inteira ou em partes, em mais de mil e
duzentas línguas.
A primeira tradução portuguesa é a do Novo Testamento por João Ferreira
de Almeida, em 1681.
Quem escreveu
Os 66 livros da Bíblia, inspirados por Deus, foram escritos por, ao
menos 36 homens, durante um período de 1500 anos. Entre esses homens haviam
reis, agricultores, pastores, advogados, pescadores, um médico, um cobrador de
impostos. Contudo esses livros perfazem um só livro, porque são obra de um só
Autor, sobre um só alvo e propósito divino, a redenção dos homens. O próprio
livro é tão grande milagre como qualquer relato nas suas páginas.
Há autores que dividem sua origem em duas: natural e sobrenatural.
Origem Natural
Entre os quarenta homens que foram
usados pelo Espírito Santo para escrever as Sagradas Escrituras encontramos o
nome de Moisés (Êx 17:14; 24:3,4,7; Nm 33:2; Dt 28:58,60).
Jesus Cristo mesmo testificou
que dele Moisés escreveu (Jo 5:46). Temos referência às Crônicas de Samuel,
Natã e Gade (I Cr 29:29). Em Provérbios 1:1 e 25:1, temos referência ao autor.
E sabemos que Daniel escreveu a sua profecia (Dn 7:1). No Novo Testamento
também alguns livros se referem aos autores; todavia só citaremos os de Lucas:
Lc 1:1-8 e At 1:1.
Origem Sobrenatural
Embora tivesse havido tantos
autores humanos, a unidade, simplicidade e singularidade da Bíblia indicam que
houve uma só mente atrás de todas, e era a divina "Toda Escritura é
divinamente inspirada" (II Tm 3:16).wpe2.jpg (36776 bytes) É como a
construção de um grande prédio, em que muitos operários estão empregados. Cada
um sabe bem o seu ofício, porém todos dependem do plano do arquiteto.
Não será fora da verdade
bíblica dizer que a Bíblia é humano-divina, quer dizer que contém estes dois
elementos. Sendo humana, está sujeita às leis da língua e literatura, e, sendo
divina, pode ser compreendida somente por homens espirituais.
Os autores humanos fornecem
variedade de estilo e matéria. O Autor divino garante unidade de revelação e
ensino. Os autores humanos se referem à Bíblia em partes. O divino refere-se a
Bíblia como um só livro.
Quem traduziu e as versões mais conhecidas
Com o estabelecimento do império de Alexandre o Grande, a partir de 331
a.C., a língua grega popularizou-se e tornou-se então imprescindível que se
fizesse uma tradução para esta língua. Até aquela época, os judeus não
permitiam a tradução dos oráculos do Senhor para outro idioma.
Segundo o escritor Aresteas, a tradução grega foi feita por setenta e
dois sábios judeus (daí o nome de "Septuaginta"), na cidade de
Alexandria, a partir de 285 a.C., a pedido de Demétrio Falario, bibliotecário
do rei Ptolomeu Filadelfo. Concluída trinta e nova anos mais tarde, essa versão
assinalou o começo de uma grande obra que, prepararia o mundo para a vinda de
Cristo e tornaria conhecida, à todos, a Palavra de Deus.
A Hexapla foi uma tradução feita por Orígenes, por volta de 228 d.C.,
foi uma obra grandiosa que, infelizmente, perdeu-se, provavelmente, quando os
sarracenos saquearam a Cesaréia em 653 d.C.
A versão em latim utilizada até hoje, pela igreja católica, foi
traduzida por São Jerônimo. Este foi perseguido e humilhado, dirigiu-se até
Belém e durante trinta e quatro anos trabalhou na tradução de toda a Bíblia.
Sua tradução ficou conhecida por "Vulgata" (vulgar). Muitos
eruditos a acham pobre e a acusam de conter muitas falhas.
A Bíblia em Português
A primeira pessoa a traduzir partes da Bíblia para o português foi D.
Diniz (1279-1325).
Grande conhecedor do latim clássico, e leitor da Vulgata, D. Diniz
resolveu enriquecer o português traduzindo as Sagradas Escrituras. Não sendo
perseverante, D. Diniz só traduziu os vinte primeiros capítulos do livro de
Gênesis.
Vários monarcas portugueses traduziram a Bíblia em partes.
A primeira tradução completa da Bíblia coube a João Ferreira de Almeida,
iniciou seu trabalho ainda com 16 anos de idade.
Almeida traduziu todo o Novo Testamento, e no Antigo Testamento traduziu
até o livro de Ezequiel 41:21. Em 1748 o pastor Jacobus es den Akker, da
Batávia, reiniciou o trabalho interrompido pela morte de Almeida, e cinco anos
depois, em 1753, foi impressa a primeira Bíblia completa em dois volumes.
Outra tradução foi feita pelo padre Antônio Pereira de Figueiredo,
partindo da vulgata latina, traduziu tudo inclusive os livros apócrifos.
A primeira parte da Bíblia chegou ao Brasil em 1847, seu nome era Nazaré
e foi publicada em São Luís do Maranhão. Era somente a tradução do Novo
Testamento.
Em 1948 organizou-se a Sociedade Bíblica do Brasil, destinada a
"Dar a Bíblia a Pátria". Esta entidade fez duas revisões no texto de
Almeida, uma mais aprofundada, que deu origem à Edição Revista e Atualizada no
Brasil, e uma menos profunda, quer conservou o nome de "Corrigida".
A partir daí, várias traduções e versões foram produzidas por editoras e
instituições as quais não citaremos.
Seus livros e suas divisões
Sob critério de linguagem e conteúdo, a Bíblia está dividida em duas
partes principais:
1. O Antigo Testamento – 39 livros. 2. O Novo Testamento – 27 livros.
Total – 66 livros.
Os judeus estavam acostumados a dividir o Antigo Testamento em três
partes principais a saber:
A Lei – Os primeiros cinco
livros, de Gênesis a Deuteronômio, também chamados de Pentateuco e livros de
Moisés.
Os Profetas – São divididos em
"profetas anteriores" ou livros que são comumente chamados de livros
proféticos.
Os Escritos – Incluiam: (1)
Livros Poéticos – Salmos, Provérbios e Jó; (2) Os Cinco Rolos – Cantares de
Salomão, Rute, Ester, Lamentações e Eclesiastes; (3) Outros Livros – Daniel,
Esdras, neemias, e 1º e 2º Crônicas.
A própria Bíblia divide o
Antigo Testamento em três partes:
A Lei – Inclui os primeiros
cinco livros da Bíblia.
Os Profetas – Incluindo os
próximos doze livros comumente chamados de livros históricos e os dezessete
livros que conhecemos como livros proféticos.
Os Salmos – Incluindo os cinco
livros proféticos.
Os livros da Bíblia e seus grupos
Os livros do Antigo e do Novo Testamento podem ser divididos em três ou
cinco grupos:
1. História
Antigo Testamento – Gênesis a
Ester (17 livros)
Novo Testamento – Mateus a
Atos (5 livros)
2. Doutrina
Antigo Testamento – Jó a
Cantares de Salomão (5 livros)
Novo Testamento – Romanos até
Judas (21 livros)
3. Profecia
Antigo Testamento – Isaías e
Malaquias (17 livros)
Novo Testamento – Apocalipse
(1 livro)
ANTIGO TESTAMENTO
Pentateuco – Gênesis a
Deuteronômio (5 livros)
Livros Históricos – Juíses a
Ester (12 livros)
Livros Poéticos – Jó a
Cantares de Salomão (5 livros)
Profetas Maiores – Isaías a
Daniel (5 livros)
Profetas Menores – Oséias a
Malaquias (12 livros).
NOVO TESTAMENTO
Evangelhos – Mateus a João (4
livros)
Atos dos Apóstolos – Atos dos
Apóstolos (1 livro)
Epístolas Paulinas – Romanos a
Hebreus (14 livros)
Epístolas Gerais – Tiago a
Judas (7 livros)
Apocalipse – Apocalipse (1
livro)
Números da Bíblia
Antigo Testamento
Novo Testamento
Bíblia Inteira
Número de livros
39
27
66
Número de capítulos
929
260
1.189
Número de versículos
23.214
7.959
31.173
Número de palavras
592.439
181.253
773.692
Número de letras
2.728.100
838.380
3.566.480
O livro do meio
Pv
2º Ts
Mq e Na
O livro mínimo
Ob
3º Jo
3º Jo
O versículo mínimo
Êx 20:13 e Dt 5:17
Jo 11:35
Êx 20:13 e Dt 5:17
Livros Apócrifos
O vocábulo apócrifo, que significa escondido, ou não genuíno, ou
espúrio, ou secreto, aplica-se genericamente a uma série de livros surgidos no
período entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento.
Os livros apócrifos, cujo número varia de onze a dezesseis, chegaram até
nós de certo modo unidos aos livros canônicos da Bíblia. Eles possuem uma
história fora do comum.
As opiniões eclesiásticas através de várias épocas têm diferido quanto
ao valor dessa literatura. Os judeus da dispersão no Egito revelaram alta
estima por esses escritos e os incluíram na tradução do Antigo Testamento para
o grego, mas esses mesmos escritos foram eliminados do Cânon hebraico pelos
judeus da Palestina.
A Igreja Católica Romana, no Concílio de Trento, 1546 d.C., considerou
Canônicos onde desses livros, que aparecem nas edições católicas das
Escrituras.
Os evangélicos, ou protestantes, geralmente aceitam os apócrifos como
possuindo material de valor literário e histórico, mas rejeitam a sua
canonicidade. Por esta razão esses escritos tem sido eliminados das modernas
edições evangélicas da Bíblia.
Os argumentos são os seguintes:
Nunca foram citados por Jesus,
duvida-se que os apóstolos tenham feito alusão a eles.
Porque depois do profeta
Malaquias, cessou o Espírito Profético em Israel e houve silêncio da parte de
Deus por quatro séculos.
A maioria dos primeiros pais
da igreja os consideravam como não inspirados. Foi simplesmente e unicamente a
tradição dos homens que inspirou esses livros. Amesma tradição os incluiu na
Bíblia.
Não aparecem no cânon hebraico
antigo.
Quando comparados aos
canônicos, os livros apócrifos, por sua qualidade inferior, se revelam como
indignos de ocupar um lugar nas Sagradas Escrituras. Existem em tais livros,
opiniões divergentes da divina; contradições, erros, falsidades, contos e
lendas.
São estes os livros apócrifos:
Tobias
Judite
Sabedoria de Salomão
Eclesiástico (não confundir
com Eclesiástes)
Baruque
1º e 2º Macabeus
Além dos sete livros acima, as Bíblias de edição romana têm mia quatro
acréscimos a livros canônicos que são:
Ester (ao livro de Ester)
Cântico dos três santos filhos
(ao livro de Daniel)
História de Suzana (ao livro
de Daniel)
Bel e o Dragão (ao livro de
Daniel)
Heresias nos apócrifos
Tobias (200 a.C.) – É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel
(pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael. Apresenta:
Justificação pelas obras –
4:7-11; 12:8
Mediação dos Santos – 12:12
Superstições – 6:5,7-9,19
Um anjo engana Tobias e o
ensina a mentir – 5:16 a 19
Judite (150 a.C.) – História de uma heroína viúva e formosa que salva
sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Sua grande heresia é a
própria história onde os fins justificam os meios.
Baruque – Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos – 3:4.
Eclesiástico (180 a.C.) – Apresenta:
Justificação pelas obras –
3:33,34
Trato cruel aos escravos –
33:26,30; 42:1,5
Incentiva o ódio aos
Samaritanos – 50:27,28
Sabedoria de Salomão (100 a.C.) – Escrito por um judeu de Alexandria.
Apresenta:
O corpo como prisão da alma –
9:15
Doutrina estranha sobre a
origem e o destino da alma – 8:19,20
Salvação pela sabedoria – 9:18
I Macabeus (100 a.C.) – Descreve a história de 3 irmãos da família
"Macabeus", que no chamado período interbíblico (400 a.C – 3 a.D.),
lutam contra inimigos judeus visando a preservação do seu povo e terra.
II Macabeus (100 a.C.) – Não é a continuação de I Macabeus, mas um
relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeus. Apresenta:
Oração pelos mortos – 12:44-46
Culto e missa pelos mortos –
12:43
O próprio autor não se julga
inspirado – 15:38-40; 2:25-27
Intercessão pelos santos –
7:28 e 15:14
Últimas informações sobre os livros apócrifos
Foram inseridos na Bíblia
quando se fez a tradução para o grego da chamada Septuaginta.
Da Septuaginta os apócrifos
foram levados para a tradução latina e daí para a Vulgata Latina.
Jerônimo, o tradutor da
Vulgata não concordou em inserí-los na sua tradução; o fez obrigado.
A Igreja Romana chama os 39
livros canônicos do Antigo Testamento de Protocanônicos, os apócrifos de
Deuterocanônicos e os pseudo-epigráficos de Apócrifos.
CÂNON [do heb. Kannesh, vara de medir] - Padrão, regra de procedimento,
critério, norma. Como o nosso cânon sagrado, a Bíblia arvora-se como a única
regra de fé e conduta daqueles que a tem como a infalível Palavra de Deus.
Bibliografia
- DICIONÁRIO BÍBLICO UNIVERSAL
- Rev. A. R. BUCKLAND, M. A. - Ed. Vida - 1998, SP.
- BÍBLIA DE REFERÊNCIA
THOMPSON - Com versículos em cadeia temática - Edição Contemporânea - Ed. Vida
- 1992, SP.
- A BÍBLIA E COMO CHEGOU ATÉ
NÓS - MEIN, John - JUERP - 1977, RJ.
- VISÃO PANORÂMICA DA BÍBLIA -
Um estudo livro por livro - TIDWELL, J. B. - Edições Vida Nova - 1985, RJ.
MUITO BOM ESTA RESENHA.
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