Novas
comunidades
Que ninguém se perca. Não permita que a ovelha
se afaste do rebanho, não permita que ela se estrague. Saiba postergar.
CARISMA:
Antes
de fazer uma leitura do jugo sob o qual estamos vamos compreender o que é um
carisma.
As Novas Visões Ministeriais é a
contestação do Espírito Santo contra um mundo secularizado e fechado em si
mesmo, ensimesmado. Foram criadas por Deus para atender as necessidades de um
povo, num tempo, que precisa de Deus, mas não O encontra. Não se trata apenas
de missão, mas principalmente de vocação.
Do barro Deus fez uma inspiração
nova, para salvar o mundo. Antes as Igrejas eram identificadas pela placa, as
instituições possuíam fronteiras denominacionais. Hoje a questão denominacional
perdeu a função caracterizadora. As inúmeras Igrejas Locais são identificadas
pela visão, determinada por um carisma específico.
Igrejas
com a mesma placa podem se distanciar substancialmente uma das outras; enquanto
Igrejas de placas diferentes podem ser mais parecidas entre si do que as que
ostentam a mesma nomenclatura.
As
visões inspiradas por Deus no sentido de retornar a simplicidade do evangelho são
sinais luminosos da presença de Deus e da beleza de Cristo. A vida e a força de
cada Comunidade são dadas pelo Espírito de acordo com o carisma.
Deus chama cada Comunidade a viver
de uma forma única, irrepetivel. Cada uma tem sua história particular. Assim
com o passar do tempo, se vai sensivelmente percebendo a locução de Deus, que
dá uma direção especial a cada uma.
Com
a vivência o Carisma começa se delinear, tudo vai ficando claro. Sonhos
pessoais, racionalizações, padronizações, projetos pessoais, nada disso
influencia na formação do Carisma, da visão. É Deus Quem, exclusivamente o
define.
Cada Carisma é responsável por um
projeto novo na evangelização. São todos, pedagogias radicais e cristocêntricas
antagonizando as propostas mundana. Ele é protagonista de um conjunto de
pequenos fatores que define a totalidade do seguimento de cada Comunidade
Visionária. Nele cria-se como que uma atmosfera espiritual, psicológica e
comunitária, capaz de penetrar, transformar e identificar cada membro. Podemos
definir vulgarmente como “o jeito”, “a linguagem”, “a missão” de cada
Comunidade.
Vamos admirar e nos maravilhar ante
a quantidade e a qualidade dos novos Carismas de hoje. Essa é uma das
características do Carisma. O Espírito Santo em sua Criatividade não repete
fórmulas. Por isso devemos evitar, a todo custo, uma visão monolítica,
unilateral e fechada à variedade de Deus.
No
início alguns grupos, caindo na tendência exclusivista natural ao gênero
humano, acreditavam que seu modelo de vida era superior e que toda a Igreja
deveria reformar-se pautada em seus valores. Foi um erro ingênuo que não temos
mais idade para repetir, Precisamos combater a tendência ao exclusivismo, pois
muitos acreditam que a Igreja deve se submeter ao seu modelo de vida radical,
não aceitam que a Igreja será sempre maior.
Não
existe Carisma superior nem inferior, nem melhor nem pior. Existe chamado pessoal,
uma vocação missionária, um gérmen em forma de botão que precisa desabrochar.
Se uma Comunidade não está vivendo seu Carisma, mesmo que esteja realizando
coisas louváveis, está em falta para com Deus.
Quando alimentamos o Carisma de
nossas Comunidades aparecem sempre mais novidades, o Espírito se incube disso.
Precisamos viver consoante nosso chamado e corresponder às expectativas de Deus
quando nos fez ser o que somos.
Estamos procurando aquilo que somos.
Fujamos de modelos de vida construída em escritórios. Nossa existência é muito
valiosa. O chamado de Deus é infinitamente mais belo que qualquer proposta
humana.
Comunidade
é lugar de vida comunitária, de missão de santidade. Deus não nos fez para
agradar platéias, não nos fez para o reconhecimento, para o estrelismo, nem
para o individualismo. Por isso precisamos acolher o desafio da nova
evangelização parando de olhar para o espelho e passando a olhar para o mundo.
Uma
Comunidade não existe para si mesma, ela existe para o mundo. Pois há um propósito
divino para cada uma. E um dos eventos mais significativos das Novas Expressões
de Comunidades é a alegria de viver o Carisma. Essa é a marca registrada, o
grande sinalizador de pertença ao Carisma. Infelizmente ainda há muitos membros
de igreja fechados em curtir suas carências.
A Igreja não espera mão de obra qualificada,
ela espera a vivência de cada Carisma. Carisma é um transbordamento da graça
criativa do Espírito Santo. Ainda que tenhamos o desejo de abraçar o mundo
precisamos ser obedientes ao querer de Deus e fazer aquilo que Ele nos revela. Os
documentos, estatutos, e aprovações eclesiais chegarão no tempo certo, o tempo
de Deus. Isso não deve nos causar ansiedade, ou preocupações. Lembrando sempre
que a Igreja não abençoa boas intenções, ela abençoa vidas. Viva sem se
preocupar com o acréscimo, o acréscimo não deve delinear a ação da vida. Ele
virá. Não vivemos só de pão, no entanto o pai do céu sabe de nossas
necessidades materiais.
A mensagem principal de nossa
comunidade é essa: Vale a pena ser Cristão! O nosso testemunho deve ser o
testemunho do Ágape que enobrece e purifica o decaído Eros.
As Comunidades têm servido a Deus no trabalho
com os jovens, famílias, com ações sociais, assistência a necessitados,
evangelização pelos meios de comunicação e etc. Elas estão sendo enviadas para
atender os perdidos, prostitutas, homossexuais, marginalizados, drogados.
Muitas
servem a Deus na contemplação, adoração, outras na missão ecumênica. Há mais
facilidade em contar os grãos de areia do deserto do que definir e enumerar a
multiforme graça que Deus vem derramando sobre a terra.
Não
queremos abrigar em nossas comunidades superstições e fanatismos, somos
chamados a ser maiores. Atentemo-nos ao elemento carismático que nos oferece
sempre novas formas de evangelização e vida fecunda.
A forma, a linguagem, as estruturas,
mudam com o passar do tempo, por isso é mister mudar as estruturas.
Nunca
se fie à segurança inerente as estruturas. A única garantia que Cristo oferece
é Ele mesmo.
FORMAÇÃO
Ignorar as escrituras é ignoras
Jesus Cristo. Desprezar as escrituras é desprezar o próprio Cristo. Precisamos
ter a postura de Samuel “fala senhor que seu servo escuta”. É preciso
ter os ouvidos do coração abertos para escutar a palavra de Deus.
A maior urgência da Igreja é a
formação aprofundada e contínua dos batizados. Essa capacitação nos levará a
criar novas frentes, pontas de lança para a nova evangelização, pois precisamos
criar constantemente linguagens novas, no dinamismo do mundo moderno.
Há no mundo uma apostasia
silenciosa, também chamada de neo-paganismo. E se infiltra em todos os lugares,
criando a mentalidade de uma religiosidade descompromissada, leve,
barganhadora, uma espiritualidade de benesses individuais. Estamos atentos a
essa seta maligna atirada contra a Igreja de Cristo.
Os
meios para a nova evangelização são vários e englobam: telefone, internet,
comunicação social e etc., tudo para alcançar os desesperados e solitários.
Na história da Igreja vemos uma
ignorância imposta pela cultura ideológica acadêmica que excluiu os humildes
das ações evangélicas. Mas nesses novos tempos, o vigor do Espírito levanta os
fracos para confundir os ‘sábios’.
IMPORTÂNCIA
DA FORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO:
A Comunidade deve saber que ter um
programa de formação é essencial tendo em mente que nossa vocação é nos unir ao
Senhor e testemunhar esse amor. As Comunidades não devem se fechar em seus
programas, mas se abrir à diversidade do Espírito.
Em Oséias 4,1-6 vemos que o
desconhecimento de Deus é a causa de todos os crimes. Não basta saber que Deus existe é preciso
aprofundar-se no seu amor, na sua essência. Pois o povo morre por falta de
conhecimento.
O conhecimento de Deus é fonte de
vida, o desconhecimento é fonte morte espiritual e até física. Não podemos
deixar de nos aprofundar no mistério de Cristo, pois corremos o risco de
profanar nosso sacerdócio batismal.
Em 1º Pedro 2,4-10 vemos que nós
exercemos nosso sacerdócio conhecendo a Deus, o conhecimento de Deus é fonte de
misericórdia, de compaixão pelo mundo.
Em MT 5 ,começo do ministério de
Jesus, vemos a multidão a beira da montanha. Jesus abre a boca e os ensina. A
primeira ação Dele é ensinar. Até antes de multiplicar os pães Ele ensinou. Ele
senta, só os mestres se sentam ante os ouvintes, para ensinar. Ele é o mestre
dos mestres.
Em MC 1,21 Ele entra numa sinagoga
no sábado e ensina; vemos um Jesus apressado em ensinar a boa nova.
Em MC 4,1-2 Jesus ensina a beira do
lago e diz “escute”.
Em MC 6, 34, na 1º multiplicação dos
Pães, saindo Jesus, ao ver a multidão, é tocado, pois a multidão era como
ovelha sem pastor. A primeira função de Jesus Bom Pastor é ensinar. Segundo as
expressões hebraicas isso é compaixão.
Precisamos ser aqueles que escutam.
Discípulos que se deixam formar. Ser discípulo é se deixar formar não apenas na
inteligência, mas também na afetividade, tendo intimidade com Ele.
Toda
formação deve ter como finalidade encontrar a pessoa de Jesus. Ninguém entra na
escola de Cristo para ser mestre, senhor. Essa é única escola do mundo onde se
forma discípulos e servos humildes.
André, ao conhecer Jesus pergunta em
que lugar Ele habita, “onde você é você mesmo”, “onde podemos
aprender de você”? A casa de Cristo
é o próprio Pai, isso o credencia para ter a humanidade em sua tutela.
Jesus diz “aprende de mim que sou
manso e humilde de coração”. Aprender Dele é ser discípulo, e ser discípulo
é entrar profundamente em seu mistério.
Em At 6,4 os apóstolos dizem que
permanecerão fiéis a Palavra, ao ensinamento ministrado pelo mestre.
Em Jo 17,3 vemos a importância de
conhecer Jesus; a salvação, o conhecimento de Cristo é vida eterna.
Em Jo 6 Jesus fala sobre a ceia e
apresenta a palavra, o ensinamento, como
alimento para vida eterna
Em
1º Timóteo Jesus quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da
verdade.
Aprendizagem não é aquisição de
informações, mas sim aprofundamento no mistério de Deus. Também ao anunciarmos
a palavra de Cristo estamos em processo de aprendizagem.
Salmo1 “Feliz o homem que se
agrada nas leis do Senhor”, a lei do Senhor é conhecer Sua lei.
Precisamos estar formados para
responder ao mundo questões básicas como: O senso da vida, Deus, mal e
sofrimento, o mundo que virá... Responda a isso!
É
importante para a fé cultivarmos a inteligência. Devemos nos formar para termos
uma vida digna de quem foi chamado das trevas à luz. Em Colossenses 1,9-13
vemos que devemos crescer no conhecimento de Deus para termos uma vida fecunda.
Formação não cuida de coisas
inatingíveis e irrealizáveis, mas antes de tudo da Bíblia, do mistério de Deus,
de Cristo, da abertura ao Espírito, dos grandes ensinamentos contidos no nosso
credo, do aprofundamento nos mistérios de Deus e dos homens, a ética, a moral e
o ensino social da Igreja... E mais tudo que diz respeito à oração. Tudo isso
são articulações que se encontram na dimensão do ser discípulo.
Para formar-se vá ao essencial; não
perca tempo com temas secundários, com acessórios. O tempo é curto! Não
priorize o que é secundário à fé. Vá a Bíblia. A
palavra de Deus é um grande tesouro em nossas mãos e não podemos escondê-la,
nem guardá-la só para nós mesmos. Para isso é preciso abrir-se a ação do
Espírito Santo com toda a imprevisibilidade que Lhe é peculiar. Nós realizamos
nossa missão com a ajuda da Igreja de todos os tempos, não apenas com a Igreja
de nosso tempo. Muito se caminhou para chegar até aqui. Muito sangue foi
derramado para podermos usufruir da palavra de Deus. A audição do Espírito nos
dá Parresia.
ESPÍRITO
Nós somos movidos pelo dinamismo do
Espírito Santo, mas com o tempo podemos nos arrefecer, nos perder em
estruturas, e até no paganismo. Nossas estruturas é claro que são importantes,
e algumas questões da institucionalização também. Mas não podemos, de forma
alguma, permitir que isso venha competir com o Espírito Santo.
SÓ PODEMOS CONHECER CRISTO PELO ESPÍRITO
Sem o Espírito Santo não poderíamos
fazer nada pela evangelização do mundo, nem pela evangelização dos que nos
cercam, nem mesmo pela nossa própria evangelização.
Somos como os discípulos de Emaús,
não conhecemos o Senhor. Somos como Maria Madalena, pensamos que o Senhor é um
jardineiro. Somos como os pescadores que pescam inutilmente, após a
ressurreição do Senhor, pois Jesus está a beira da praia.
Só podemos encontrar Jesus por meio
do Espírito Santo. Foi o Paráclito que fecundou o ventre de Maria. Foi Ele quem
guiou os reis magos até onde estava o unigênito de Deus, que O revelou, a João
Batista, que ungiu a mulher samaritana, que inspirou Zaqueu para subir e descer
da árvore. Foi o Espírito Santo que iluminou Bartimeu para que ele pudesse
louvar Jesus, vendo.
Que
o Espírito esteja em nós para encontramos Jesus.
“Se eu tiver a pele mais clara do
mundo, ou a mais escura. Os cabelos mais belos ou os mais feios. As roupas mais
lindas ou as mais esfarrapadas. As maiores riquezas ou exagerada pobreza... Se
eu não tiver o Espírito Santo não poderei ser feliz.”
Lembremos sempre que o Espírito
Santo age de forma selvagem, imprevisível. E a tendência natural do ser humano
é querer domesticar a fera, enjaular o leão. Sabemos o triste fim dos animais
indomáveis forçados à domesticação. Se o aprisionarmos Ele perde a beleza, a
força, a imprevisibilidade. Precisamos
permitir o poder livre e selvagem do Espírito Santo em Nós. Não Tem por que se
encher do Espírito Santo se não for para viver com poder e ousadia.
USOS COSTUMES E DOUTRINAS
Todo ministério tem um conjunto de regras
que podem ser denominadas como usos/costumes e doutrinas, o que pode e o que
não pode, por que pode e por que não pode. Essas diretrizes são oriundas da
interpretação de passagens bíblicas aplicadas a cada tempo.
Toda
doutrina é universal e transcende o tempo. A crença em Jesus como único e
suficiente salvador é uma verdade de todos os tempos que se aplica a todas as
culturas.
Muitos se confundem e chamam usos e
costumes de doutrina. E a forma de compreender a doutrina também pode ser
diferente:
*
Uns defendem que para aceitar Jesus é preciso fazer uma confissão pública de
seu nome e abraçar uma religião,
*outros
defendem a idéia de que confessar Jesus é uma atitude diante da vida,
independente de confessionalidade.
Um grupo pode conhecer a Cristo e não fazer
sua vontade, outro grupo pode fazer a vontade de Cristo, mesmo sem conhecê-lo.
“senhor quando foi que te vi nu e te vesti, ou com fome e te dei de comer...”
Os usos e costumes são temporais, são
interpretações, são opções, são frutos da cultura, do tempo e do espaço.
POSIÇÃO DOS MINISTÉRIOS
Alguns ministérios consideram a observação
dos usos e costumes algo essencial na adesão da fé. Quem não muda a roupa não
pode seguir a Cristo, mulher que corta o cabelo é excluída, proibi-se ouvir
musica secular, ir à praia e coisas desse tipo. Quem cai em pecado é abandonado
justamente quando mais precisa dos irmãos. Ministérios de liderança são vetados
as mulheres. Véu cobrindo a cabeça, roupão em forma hábito para membros,
gravata, terno e roupa social no púlpito...
E a PIBATAN onde fica nisso tudo?
POSIÇÃO
DA PIBATAN
Entendemos
e respeitamos essas expressões que se tornaram identidades denominacionais e/ou
ministeriais que diferenciam as instituições.
Entendemos da mesma forma que o
chamado de Jesus é específico. As instituições são vocacionadas a carismas
próprios. Essas diferenças, no entanto, não fazem com que uma seja melhor do
que a outra, ou determine que uma esteja certa enquanto a outra errada.
A
multiforme graça de Deus revela inspirações multifacetadas, uma gama de
expressões, adaptações e linguagens para atender a variedade humana.
Umas
Igrejas aceitam bater palmas, outras proíbem, umas aceitam dança, outras
proíbem, umas aceitam glorificar, outras não desenvolvem essas atitudes de
espontaneidade...
A análise
prova que a psicologia de algumas pessoas se beneficia de um conjunto de regras
que as auxiliam na caminhada. Mas aquilo que para uma pessoa pode significar
apoio para outra pode ser cadeia.
Nós da PIBATAN optamos em crescer
na liberdade com responsabilidade, não aderimos a fatores normatizadores de
cunho cultural, interpretativo e passageiro. Acreditamos que a proposta de
Cristo é suficiente para o nosso desenvolvimento no reino. O Evangelho Todo é
suficiente para o Homem Todo e para todos os homens.
JESUS
QUEBRA PARADIGMAS
‘Ouvistes
o que foi dito, eu, porém vos digo’.
Ao fazer essa afirmativa inúmera vezes em seu evangelho, Jesus revela aquilo
que era sombra, aquilo que caducou, aquilo que nunca foi compreendido, aquilo
que era provisório até que ele chegasse como plenitude dos tempos.
Uma gama gigantesca de normatizações
ritualísticas de cunho religioso caducou, o maná do deserto era um símbolo do
Cristo que viria, quando ele chegou a utilização do símbolo perde utilidade.
Embora a coletividade prefira o símbolo do pão que desceria do céu em
detrimento do pão do céu em pessoa.
“Com
a autoridade de quem você ensina essas coisas”. Jesus foi indagado pelos
rabinos de seu tempo. O Evangelho de Jesus rompe preconceitos, destrói
barreiras, deixa de ser monopólio de nichos ditos iluminados e vai a todos os
guetos...
CONSEQUENCIAS DA
AUTENTICIDADE
Viver puramente o Evangelho hoje é suscitar
a indagação do mundo religioso. Os escravizados que impõem seus grilhões de
culpa, controle e manipulação, repetem a mesma frase dos rabinos inquisidores;
“com a autoridade de quem você ensina essas coisas?”. Para o mundo movido pelo
espírito de religiosidade o Espírito do Evangelho é algo inadmissível.
Jesus não é mais um fundador de religião,
Ele não está interessado em perpetuar as engrenagens religiosas.
ESCANDALO DA GRAÇA
Em todas as religiões observamos que os
homens buscam a meritocracia para atingir altos níveis de espiritualidade e de
conhecimento de seu deus. Jesus nos revela algo inédito na história, um Deus
que desde o início da criação está em busca do homem. Abdica de sua glória e
desce como criatura ao encontro da humanidade decaída.
A religiosidade, que é ‘meritocratica’,
define que se chega a Deus pela observância de regras, integrismos e
legalismos. Os símbolos, os ritos e a regras são ‘idolatrizados’, ficam maior
que Deus. Jesus no Evangelho anula essa lógica religiosa, somos inseridos na
Graça imerecida, na lógica do amor incondicional.
O
JUGO
Nenhuma agremiação humana tem autoridade
para determinar o que é e o que não Deus, sem correr o risco de pecar contra o
Espírito Santo que não segue nossos padrões, mas tem autoridade para apresentar
um estilo de vida alicerçada na Palavra com um carisma aglutinador reunindo
pessoas que se identificam com determinada visão. Pessoas que nunca se
integrariam as conjunturas já apresentadas.
O QUE A PIBATAN QUER SER?
Queremos ser uma comunidade que ofereça
respostas para as novas configurações de nosso tempo. A Igreja tem a
prerrogativa de quem tem as chaves do reino, ela deve afirmar o jugo de Cristo,
a partir da leitura de seu tempo, sem impor cadeias, sem religiosismos, sem
idolatrias.
Compreendemos que a multiforme graça de
Deus se manifesta na variedade, não é exclusivista nem padronizadora. A mesma
essência é ‘externalizada’ de muitas formas diferentes. Não devemos pensar que
o diferente é inimigo. Nossas semelhanças nos confirmam, nossas diferenças nos
completam.
TEOLOGIAS
DO JUGO
Toda a
teologia é uma construção histórica.
Discursos oriundos de reflexão contextualizada que produzem, no tempo e
no espaço, aquilo que entendemos por teologia. São categorias de pensamentos,
são conclusões, reflexões do homem ante o infinito. A teologia não é Deus, é
apenas a forma sistematizada de compreender Aquele que nos escapa.
Homens
notáveis construíram seus sistemas decodificadores do infinito, homens como
Lutero, Calvino, Agostinho, Tomas de Aquino, Erasmo, Finney, e outros. Muitas
vezes eles entraram em divergência no tocante a algumas posições, pois
entendiam alguns temas de forma antagônica.
A tarefa
exegética não se esgotou nesses notáveis. O saber passado precisa ser
constantemente resignificado para ganhar sentido e funcionalidade em cada tempo
presente.
A palavra é a mesma, mas o homem
é responsável por traduzi-la, é responsável pela linguagem, pelo ritmo, a fim
de que ela seja inteligível e significativa para todos.
Relembrando; Deus não é a
teologia... Nem nada que se possa definir ou ser apreendido pelo intelecto
humano.
Deus não é apenas Um Alguém com quem nos
relacionamos, Deus é Alguém através de quem nos relacionamos com todas as
coisas. Ele não é um ente que de vez em quando recebe nossa atenção ‘cúltica’.
Não temos que abandonar a vida para ter relação com Deus, precisamos ter
relação com Deus na vida. Esse é nosso maior desafio, essa é a proposta de
Cristo para a sua Igreja.
ENTENDENDO NOSSO CARISMA
Avaliamos, na palavra, o jugo que está
sobre nossas costas, pois nós, enquanto Igreja, temos as chaves do reino.
Ninguém tem autoridade, sozinho, para impor um jugo, essa tarefa é da
comunidade reunida em concordância, a Igreja. E a Igreja de Cristo deve estar
focada em apresentar apenas o jugo de Cristo.
Nós buscamos a compreensão daquilo que é
jugo cultural, temporal, condicionado, legalista, ideológico, religioso...
Buscamos a inspiração de Deus, na
Palavra-vida-comunitária-e-intimidade-na-oração, para garimpar, em meio a
tantas propostas, o que é ouro e o que é ilusão, o que é essência e o que é
forma.
Queremos ser confrontados com o Evangelho
Todo e ter uma experiência, não com a Instituição PIBATAN, mas com Jesus.
Tomamos
o Jugo de Jesus, estando debaixo da direção pastoral do ministério abraçando
todas as suas conjecturas, abraçando um estilo de vida inspirado por Deus, na
Palavra e na vida.
Todo ministério tem um jugo. Num ministério
específico se pode andar de bermuda, em outro só de calça; num lugar se pode
ouvir música secular, no outro não... Precisamos de coerência consoante o jugo
que livremente escolhemos. Não podemos ter um jugo diferente para cada dia da
semana, isso esquizofrenisa a vida, é maldição.
AS CHAVES DO REINO
As chaves do reino precisam ser usadas com
verdade e responsabilidade. Devemos entender, na palavra, o que é permitido, o
que é proibido, pois queremos apenas o Jugo de Jesus, respeitamos quem quer
atribuir outros jugos ao de Cristo, essa, porém não é nossa vocação.
Na liberdade do Reino e na responsabilidade
da vida comunitária queremos viver na prática o evangelho, para isso precisamos
abandonar os jugos que são prisões. Passamos andar voluntariamente na Santidade
e na Luz de Cristo.
QUEM É BEM VINDO ENTRE NÓS?
Na PIBATAN todos são bem vindos, qualquer
que seja o Jugo que porta. Queremos caminhar juntos até que todos tomem sobre
suas vidas
o jugo de Cristo ao abandonar os jugos impostos pela superstição, pela
idolatria, pelas ideologias e pela ignorancia.
Mestres
da lei, rabinos, fariseus, todos estão constantemente impondo jugos, precisamos
identificar os mestres da lei, os rabinos que negam o jugo leve e o fardo suave
oferecido por Jesus; Os que militam o mérito em detrimento da graça.
Não estamos aderindo a uma religião, nossa
adesão é a Deus na Pessoa de seu filho anunciador do Reino.
ENTENDENDO O TEMPO PARA
TRANSCENDER O TEMPO.
Dizem que não se fazem mais crentes como
antigamente, nem pastores como antigamente. Que bom! Pois não podemos ser os
crentes de antigamente, nem podemos querer que os pastores de hoje sejam como
os de antigamente, pois não somos a igreja de antigamente. Mentalidade
estagnada não dá respostas às necessidade da dinâmica de cada tempo. A coisa
certa na hora errada pode ser tão errado quanto a coisa errada a qualquer hora.
Não adiante a Igreja dar respostas à
perguntas que não são feitas, nem atender a necessidades que não existem.
Espiritualidade que é um meio de acesso
para bens, conforto e reconhecimento pessoal não é evangélica.
Deus
nos chamou para sermos diferentes e não esquisitos. Tenhamos cautela com as
propostas de seguimentos que nos põe em evidência, seja pelo que há de belo, ou
pelo que há de feio, seja pelo que abunda ou pelo que falta... Seja pela
presença ou pela ausência... Em tudo
buscamos a gloria de Deus, não a do homem. Nosso jugo deve refletir essa
realidade e não nossos talentos pessoais.
JESUS O RABINO TRANGRESSOR
Deus, conforme Jesus revela, torna obsoleto
todo padrão religioso. Jesus chega para derrubar e/ou re-significar tudo o que foi construído
antes. As lógicas humanas são desmascaradas e as intenções de todas as práticas
são reveladas, a ineficácia da lei, no formato imposto pelas autoridades, é
exposta.
Seu itinerário transgressor começa com seu
nascimento, o Grande Ungido, esperado, o messias de ISRAESL é concebido numa
manjedoura, longe de toda pompa, fora do ambiente do templo, é visitado por
reis magos que faziam exegese celestial, que praticavam outra religião.
No 1º milagre, bodas de Canaã da Galiléia,
vemos Jesus transgredindo as talhas da purificação. Os discípulos de Jesus são
censurados, pois não lavavam as mãos antes das refeições, enquanto seus
concidadãos se purificavam pelo menos 3 vezes ao dia. Jesus abre mão das
práticas de purificação ritual, usa as talhas para transformar água em vinho.
Todos
os que chegavam à festa, que poderia durar até uma semana, tinha
obrigatoriamente que recorrer as talhas de água para se purificar. Mas Jesus
usou a água das talhas de purificação, todos que chegavam iriam ter que entrar
na festa e começar a comer sem se purificar exteriormente, escândalo... Jesus
começa sua sucessão de transgressão.
Jesus desdenha do templo de Jerusalém,
‘destruirei e reconstruirei em três dias’...
Jesus arrebanha seguidores sem qualquer credenciamento
formal. Ele não tem autorização ‘legal’ para fazer discípulos, nem apresentar
um jugo. Mesmo assim Ele transgride as regras e faz discípulos e oferece um
jugo.
Jesus desdenha da lei na boca dos doutores
da lei, transgride a hierarquia da religião.
Jesus rompe as proibições geográficas,
genéricas e étnicas, ele vai ate um lugar onde só as mulheres deveriam estar;
um lugar considerado amaldiçoado, fala com um povo amaldiçoado.
Nem
no monte, nem no templo, nem em Jerusalém, Jesus desdenha do lugar de adoração.
Em relação ao mito do tanque de betesda ele
desdenha da tradição do anjo. Não sobra nada ante Jesus.
Jesus relativiza Moisés. ‘Vocês pensam que
Moises era o cara, eu sou o cara. O pão que Moises deu aos pais de vocês no
deserto era um, eles morreram. O pão que eu tenho para dar é melhor, é
diferente, quem comer não morrerá’.
“Entrando em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro
dez leprosos, os quais pararam de longe, e clamaram: Jesus, Mestre, tem
misericórdia de nós...’. Jesus
transgride a proibição, se aproxima dos leprosos, rompe os tabus. Vai onde
ninguém pode ir, faz o que ninguém antes ousou fazer...
Para o judeu da época um cego nascido cego
estava sob a maldição de Deus. O povo pergunta quem pecou, ele ou os pais.
Jesus responde nenhum nem outro; joga por terra a teologia moral de causa e
efeito.
Em sua crucificação Jesus impertinente ousa
se tornar ladrão inverte os papeis e rouba o coração de em ladrão. Promete o
paraíso para um vagabundo transgressor da lei, um merecedor do inferno é admitido
no céu.
ESTRUTURA DA RELIGIOSIDADE
O espírito da religião é a cisão, é a
compartimentalização da vida a partir da compartimentalização do divino. O
mundo criado pela religião é um mundo dividido entre lugares sagrados e lugares
não sagrado, pessoas, lugares, dias, atividade sagrada e não sagrada.
A procura do religioso não é o Deus
verdadeiro, é o Deus mais poderoso, não é o Deus certo, mas um deus que dá
certo.
Quando eu penso, “isso é obra de Deus, isso
é minha atividade profissional’, eu estou aquém de Jesus Cristo...
Quando
penso ‘hoje é dia do senhor, amanhã é segunda’. Essa pessoa é santa e essa
outra não.
Quando
eu digo que algo, ou alguém é mais especial que outro, estou aquém de Jesus
Cristo. Isso é o Evangelho de Jesus que é libertador, bem diferente das
estruturas dominantes movidas pelo ímpeto de domínio expansionista...
PERGUNTAS RELACIONADAS A DEUS
Onde eu posso buscar a Deus? Aqui.
Quem pode me levar a ele? Qualquer um que o
invoque em Espírito e Verdade
Fazendo o que? Fazendo isso
Quando? Agora
DINÂMICA DO REINO EM CRISTO
Tudo esta banhado no sangue de Jesus, não
precisamos mais esperar o dia certo, a pessoa certa, o lugar certo e a
atividade certa.
O Reino de Deus já esta entre nós e se
manifesta aqui, agora, em tudo e em todos. Todo lugar é santo, todo mundo é
santo, toda atividade é santa... O evangelho libertador derrubou as
compatimentalizações. Quando falo toda atividade é santa não me refiro ao que é
ilícito, imoral, antiético.
Essa realidade do reino materializada na
vida é nosso jugo. Nosso limite é nosso próximo.
Uma
Igreja que se confina a determinados lugares, a determinadas pessoas, a
determinados dias, é só uma religião, não penetrou no sentido profundo da
proposta do evangelho ... Não tomou
sobre si o jugo de Cristo...
Nós PIBATAN, caminhamos diariamente nessa
direção, tomar sobre nós o jugo de Cristo.
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